O seu violão está em perigo, e a culpa é sua!

Olá! O assunto de hoje é Violão, e porque você vai estragar o seu! Rsrsrs…

Não é uma pergunta, é uma afirmação: você vai estragar seu violão.

Porque estou dizendo isso?

Simples, em 12 anos de profissão, vejo diariamente pessoas negligenciando os padrões dos instrumentos, e rotineiramente, os que chegam em minha oficina para manutenção, são instrumentos muito mal cuidados e largados ao tempo.

Mas hoje eu quero te ajudar!

Vou listar os problemas e os cuidados necessários para você não estragar seu violão e aumentar a vida útil do mesmo.

Vamos lá?

Os maiores inimigos do seu violão

Instrumentos musicais em sua maioria, são feitos de madeira, e tanto faz se é MDF, compensado ou madeira maciça, os cuidados são os mesmos. Então por isso, seus maiores inimigos são umidade e calor.

Pense comigo, todas as partes de um violão são coladas, e existem vários tipos de cola, mas a maioria delas não é muito resistente a calor e umidade. Outra coisa que você pode não perceber, mas acontece, é que a madeira se contrai ou dilata dependendo das condições climáticas, isso vale para o MDF e compensado também, acontecendo diariamente. O comportamento do instrumento muda de um dia para o outro, mesmo se estiver acondicionado em um bom case ou capa.

Então no dia a dia, se você expõe seu instrumento a calor e umidade, com certeza ele estará sofrendo variação.

O efeito das cordas no instrumento

Some essa condição climática, ao efeito das cordas. Eu já falei sobre cordas em um vídeo do youtube, esse aqui: https://www.youtube.com/watch?v=pUxgjH5JMMw

Nesse vídeo eu explico melhor sobre as variações encontradas em encordoamentos, mas o que você precisa entender é que um jogo de cordas, quando afinado, aplica uma força em seu instrumento que não é pequena não viu, são cerca de 50kg de pressão aplicada ao braço do seu violão. Agora, imagine a seguinte situação:

Você afinou seu instrumento (50kg de pressão), e levou para tocar em uma roda de amigos. Durante o trajeto de casa até o destino, você colocou seu instrumento em uma capa, ou case, e colocou ele no porta-malas de um carro. Dentro do carro, devido a ação do sol, a temperatura pode chegar a 70 graus (isso é muito comum no verão por exemplo), e o instrumento musical, que foi projetado para suportar os 50 kg de força das cordas, agora tem que suportar o mesmo peso com a madeira que começou a dilatar e amolecer pelo calor do ambiente, e as colagens literalmente começaram a derreter.

O resultado disso é fácil concluir: Você estragou seu instrumento!

Alguma variação vai acontecer, não adianta! E pra piorar as coisas, tem ainda a falta de manutenção rotineira que o instrumento precisa.

Outra coisa muito comum, é não se preocupar em trocar as cordas do instrumento. Na maioria das vezes, o músico compra o violão novo na loja, leva para casa, afina e toca. Por mais que você ache que as cordas estão novas, elas não estão.

Pense comigo, entre o processo de fabricação (a maioria dos instrumentos são asiáticos), venda a um importador, transporte via container (navio), chegada em uma loja, e venda ao cliente, tranquilamente se passaram 6 meses, isso sendo otimista. Então você compra um instrumento novo na loja com no mínimo 6 meses de existência, e um jogo de cordas normalmente não costuma durar mais que 3 meses, sendo otimista.

Entre a regulagem do fabricante e o momento que você comprou, já se passou muito tempo, e a condição climática variou, o que significa que o instrumento não está regulado corretamente.

Você não troca as cordas, elas já estão sem elasticidade, o instrumento não está bem regulado e você só vai trocar ela depois de uns 6 meses de uso, quando ela já está totalmente oxidada.

A oxidação das cordas provoca um outro problema, começam a ficar mais abrasivas e essa abrasão provoca desgaste dos trastes do instrumento.

Ferrugem e metal não combinam, então você precisa evitar essa condição, pois trocar as cordas é barato, mas retificar ou trocar os trastes e outros componentes metálicos, não é!

Não são raros os casos e relatos de pessoas que compram um instrumento, e só o levam para realizar alguma manutenção quando fica impossível de tocar.

Aí meu amigo não adianta, a dor de cabeça e o custo da manutenção vai ser grande. Isso se for possível e viável o conserto.

E sabe de quem é a culpa? É sua!

“Poxa Henrique, mas então o que eu posso fazer pra não estragar meu violão?”

Simples meu amigo, cordas novas sempre, instrumento regulado pelo menos de 6 em 6 meses, e ao transportar, sempre alivie um pouco a tensão das cordas desafinando o instrumento. Não precisa deixar as cordas bambas, mas pelo menos diminua a pressão, pois assim o instrumento não será extremamente forçado em condições adversas.

“Mas Henrique, regulagem é caro, não consigo levar ao luthier de 6 em 6 meses”.

Você não precisa de um luthier para ajustar seu instrumento de forma básica, já pensou em fazer você mesmo a manutenção básica?

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Um grande abraço!