Amigo, não estrague o verniz da sua guitarra ou baixo…

Olá, mais uma vez vamos a um assunto super importante, o verniz!

O conhecimento no assunto pela maioria das pessoas é pequeno, e a confusão é grande!

Vamos ao que interessa.

Quais tipos de verniz existem?
Muitos, mas muito mesmo. Porém vou falar dos mais comuns.

Verniz PU:

O Pu ou poliuretano é uma resina acrílica, geralmente Bi componente (resina + catalizador) e amplamente utilizado em instrumentos musicais. Ele garante cobertura, resistência, e proteção da madeira.

O verniz PU em geral é muito resistente, e a maioria dos produtos vendidos no mercado para limpeza e polimento de verniz, são compatíveis com o PU, sendo assim, o processo de limpeza e polimento é bastante simples nesse tipo de verniz.

O importante a se observar, é que quando o verniz é PU fosco, devemos evitar ao máximo o atrito ao limpar o instrumento, pois o fosco ao ser finalizado, não exige polimento e quando esfregamos a superfície do fosco o verniz acaba por ficar brilhante, o que não é nossa intenção.

Verniz Nitrocelulose:

O nitrocelulose é um verniz que não possui resistência aos mais variados tipos de solventes, como os tradicionais Álcool, Thinner e Acetona. Ao termo popular, o nitrocelulose é o verniz que nunca seca, sendo assim, qualquer produto de polimento ou limpeza que você utilizar, que tenha algum composto desse em sua composição, pode danificar o acabamento do produto.

Verniz Poliéster:

O poliéster é um tipo de verniz muito resistente. Quando seco, os mais variados tipos de solventes são incapazes de danificar o acabamento desse verniz. Porém essa característica de rigidez, faz com que o poliéster seja frágil a quedas. O verniz parece um vidro quando finalizado, e ao receber uma pancada ou queda, acaba por trincar com muita facilidade.

Verniz Goma Laca:

Os cuidados da goma laca são similares ao nitrocelulose. Ela não é capaz de suportar os solventes como Thinner, Acetona e álcool, por isso é muito importante evitar produtos com essa base.

Cera:

Alguns instrumentos são finalizados com ceras, e a cera é um produto similar a esse mesmo que utilizamos em tacos de chão de casa.

Para quem já tem experiência com esse tipo de acabamento, sabe que a cera pode acumular sujeira e ficar manchada. Nesse caso é importante sempre manter a limpeza em dia, com pano úmido e de tempos em tempos refazer o acabamento.

Por isso sempre leia o rótulo do produto de limpeza ou polimento que você está utilizando, pois esses podem estragar o acabamento do seu instrumento.

Até a próxima.

O mito da madeira falante

Olá! Que assunto polêmico esse!

Falar de madeiras é extremamente difícil e chato!

Digo chato porque cada um tem sua opinião e são raros os estudos realmente definitivos sobre o tema.

Mas aqui vamos tentar excluir os mitos mais frequentes.

Existe madeira ruim? Existe madeira boa?

A resposta é NÃO! Pare de perguntar se Cedro é bom, Pinho é bom, Paraju é bom, Pau-ferro é bom… Não existe madeira ruim! O que existe é madeira mal selecionada, mal preparada, mal cortada, e mal aproveitada.

Olha só, existem milhares de espécies, milhares de tipos, vários cortes, várias formas de secagem, várias aplicações, e isso é importante existir, pois em um instrumento precisamos de…

Resistência:

Para aplicações por exemplo de escala e braço isso é importante, porque madeiras sem muita resistência podem não aguentar a pressão exercida pelas cordas. A resistência também depende do tipo de corte, para uma mesma madeira, a resistência pode ser diferente dependendo do corte dela. Você pode notar que muitos fabricantes e luthiers, utilizam faixas e mesclam madeiras para garantir que um braço tenha resistência para aguentar essa pressão sem sofrer muita variação. Na escala, as madeiras duras se destacam, pois aguentam o desgaste provocado pelo músico ao tocar o instrumento.

Trabalhabilidade:

Não adianta ser uma boa madeira se ninguém consegue serrar, tornear, fresar, lixar, e dar acabamento. Aí as madeiras mais “macias” como Cedro, Marupá, Alder, Freijó e Mogno se destacam, pois podemos fresar as cavidades de captadores, fresar formato de corpo, cavidades eletrônicas sem sofrer.

Em madeiras duras, o maquinário acaba sendo forçado, e as madeiras podem lascar, queimar, e até mesmo trincar caso sejam muito duras.

Acabamento:

A facilidade de se aplicar um acabamento, tanto como a beleza estética, estão em jogo nessa escolha, pois uma madeira visualmente bonita garante um diferencial ao instrumento, e sua valorização.

Além disso, existem madeiras que são difíceis de se dar acabamento, por serem muito porosas, ou serem difíceis de lixa, ou terem uma cor muito difícil de se trabalhar.

Estabilidade:

A estabilidade é uma característica importante, pois você não vai querer que a madeira torça ou venha a empenar com o tempo. Existem madeiras que são mais estáveis, como mogno por exemplo, mas a estabilidade também está muito envolvida com o processo de corte e secagem da peça.

Sendo bem trabalhado desde o corte, o produto final é mais confiável ao se fabricar um instrumento. Veja bem, não adianta em nada ter um jacarandá ou um mogno cortado a 30 anos, se eles não foram processados em pranchas, colocados em estufa, e tem o corte preparado para instrumentos. Madeira boa não é madeira velha.

Peso:

Instrumento pesado ou desequilibrado, ninguém merece e de que adianta ser bonito e vistoso, se ninguém consegue colocar no ombro e tocar, por isso é uma condição importante a ser avaliada.

Veja que em nenhum momento citei a palavra timbre e sustain, isso porque o timbre e sustain não são definidos pela madeira, e sim pelo conjunto do instrumento como um todo.

Madeira não fala, madeira não dá som, madeira não é um alto falante. Madeira é a matéria prima que o instrumento é construído e ponto.

Se você tem a intenção de adquirir ou construir um instrumento, pense no timbre que você está escutando, e não na madeira que foi feito!

Um grande abraço e até mais!